
Nas vésperas do Fórum Social Mundial fui assistir hoje (16-01-09) uma palestra de um d0s seus organizadores, Boaventura de Sousa Santos, na Universidade de Coimbra. A palestra, que teve como título "Para uma concepção pós-abissal do Marxismo", faz parte de um seminário chamado "Pela mão de Marx: Mercado, Estado e Sociedade Civil no Século XXI".
Listarei as principais teses defendidas por Boaventura na palestra, tentando ser o mais fiel possível à palestra proferida, para, na próxima postagem, fazer alguns comentários.
Partindo do pressuposto de que a emancipação social em direção a um sociedade pós-capitalista é tarefa urgente dos agentes políticos subalternizados de várias regiões do globo, especialmente do hemisfério sul, Boaventura conclama a necessidade de se proceder a uma avaliação do referencial teórico utilizado para compreender e transformar a realidade durante o século XX, ou seja, o marxismo. Isto porque, segundo Boaventura, o marxismo é uma teoria cujo nascedouro respondeu a uma realidade européia do século XIX. Essa avaliação do marxismo, para ele, visa adequarmos este referencial à realidade contemporânea das várias regiões do globo, que comportam vários tipos de lutas e de organizações populares.
Visto isso, o sociólogo português faz duas distinções que irão nortear toda a sua fala. Ele divide a crítica recente ao marxismo (outros autores chamariam de pós-marxismo-fala de Boaventura-) em duas fases: a primeira, seria marcada por uma crítica demasiada cética e negativa, enquanto que a segunda fase seria mais propositiva, na busca de alternativas ao capitalismo mediante experimentalismos de formas de lutas sociais de vários tipos. Boaventura situa-se na segunda fase, citando como exemplo da fase anterior Ernesto Laclau. A segunda distinção diz respeito mais diretamente ao objeto da palestra, uma crítica ao marxismo por dentro do marxismo, como ele diz. Essa crítica, então, incidirá sobretudo no marxismo da II e III Internacionais. Marx foi poupado de praticamente todas as críticas no decorrer da palestra. Aliás, Marx foi citado, mais especificamente textos inéditos do pensador alemão que estão na Universidade de Amsterdam, como fonte para soluções de erros e reducionismos da II e III Internacionais.
Eis as críticas ao marxismo da II e III Internacionais. Aliás, para ser mais fiel à palestra, é importante frisar que as críticas abaixo são postulados do marximo que se mostraram insustentáveis e, portanto, devem ser superados, segundo Boaventura.
1) O triângulo marxista deve ser superado. Triângulo este formado por uma concepção de história baseada em leis (materialismo histórico), por uma filosofia baseada na dialética (materialismo dialético) e por uma organização política (Partido) que, utilizando os outros dois elementos, interpretaria a luta de classes e conduziria o proletariado na direção do socialismo. No que diz respeito à crítica a concepção de história, Boaventura afirma que não cai no outro extremo, que é pensar que a realidade é absolutamente contigente, como faz, segundo ele, Ernesto Laclau que, a partir de Lacan, entende a revolução\socialismo como um significante vazio. Boaventura diz que há uma contigência relativa nas ações sociais, que é limitada por processos de estruturação que ocorrem no meio social.
2) O marxismo menosprezou as subjetividades políticas, ao dar atenção exclusiva ao proletáriado. O erro aqui, segundo Boaventura, é que a derivação da dimensão política da economia coloca o proletariado como o sujeito político isolado, não dando atenção para outros sujeitos e subjetividades se mostrarem na luta política. O surgimento das reinvidicações das mulheres e dos movimentos sociais advindos dos países recém descolonizados exigem uma amplitude maior para os agentes políticos do que a classe social. Contudo, Boaventura critica outros pós-marxismos que descartam o conceito de classe social. Para Boaventura, classe é um aspecto em que se revela as relações de opressão. No entanto, outras relações de opressão são mediadas por etnicidade, por exemplo, que não é classe social.
3) Houve uma miopia ou um deficit ético na marxismo (ética eurocêntrica)
4) Crítica ao vanguardismo (vanguarda) do Partido. Segundo Boaventura, o Partido não deve ser a vanguarda, mas a retaguarda dos sujeitos políticos subalternizados: estimulando a luta, sugerindo questões...
5) Crítica à idéia positivista do marxismo entendido como uma ciência. Para Boaventura, o marxismo não é uma ciência.
6) O marxismo desvalorizou a democracia.
Listarei as principais teses defendidas por Boaventura na palestra, tentando ser o mais fiel possível à palestra proferida, para, na próxima postagem, fazer alguns comentários.
Partindo do pressuposto de que a emancipação social em direção a um sociedade pós-capitalista é tarefa urgente dos agentes políticos subalternizados de várias regiões do globo, especialmente do hemisfério sul, Boaventura conclama a necessidade de se proceder a uma avaliação do referencial teórico utilizado para compreender e transformar a realidade durante o século XX, ou seja, o marxismo. Isto porque, segundo Boaventura, o marxismo é uma teoria cujo nascedouro respondeu a uma realidade européia do século XIX. Essa avaliação do marxismo, para ele, visa adequarmos este referencial à realidade contemporânea das várias regiões do globo, que comportam vários tipos de lutas e de organizações populares.
Visto isso, o sociólogo português faz duas distinções que irão nortear toda a sua fala. Ele divide a crítica recente ao marxismo (outros autores chamariam de pós-marxismo-fala de Boaventura-) em duas fases: a primeira, seria marcada por uma crítica demasiada cética e negativa, enquanto que a segunda fase seria mais propositiva, na busca de alternativas ao capitalismo mediante experimentalismos de formas de lutas sociais de vários tipos. Boaventura situa-se na segunda fase, citando como exemplo da fase anterior Ernesto Laclau. A segunda distinção diz respeito mais diretamente ao objeto da palestra, uma crítica ao marxismo por dentro do marxismo, como ele diz. Essa crítica, então, incidirá sobretudo no marxismo da II e III Internacionais. Marx foi poupado de praticamente todas as críticas no decorrer da palestra. Aliás, Marx foi citado, mais especificamente textos inéditos do pensador alemão que estão na Universidade de Amsterdam, como fonte para soluções de erros e reducionismos da II e III Internacionais.
Eis as críticas ao marxismo da II e III Internacionais. Aliás, para ser mais fiel à palestra, é importante frisar que as críticas abaixo são postulados do marximo que se mostraram insustentáveis e, portanto, devem ser superados, segundo Boaventura.
1) O triângulo marxista deve ser superado. Triângulo este formado por uma concepção de história baseada em leis (materialismo histórico), por uma filosofia baseada na dialética (materialismo dialético) e por uma organização política (Partido) que, utilizando os outros dois elementos, interpretaria a luta de classes e conduziria o proletariado na direção do socialismo. No que diz respeito à crítica a concepção de história, Boaventura afirma que não cai no outro extremo, que é pensar que a realidade é absolutamente contigente, como faz, segundo ele, Ernesto Laclau que, a partir de Lacan, entende a revolução\socialismo como um significante vazio. Boaventura diz que há uma contigência relativa nas ações sociais, que é limitada por processos de estruturação que ocorrem no meio social.
2) O marxismo menosprezou as subjetividades políticas, ao dar atenção exclusiva ao proletáriado. O erro aqui, segundo Boaventura, é que a derivação da dimensão política da economia coloca o proletariado como o sujeito político isolado, não dando atenção para outros sujeitos e subjetividades se mostrarem na luta política. O surgimento das reinvidicações das mulheres e dos movimentos sociais advindos dos países recém descolonizados exigem uma amplitude maior para os agentes políticos do que a classe social. Contudo, Boaventura critica outros pós-marxismos que descartam o conceito de classe social. Para Boaventura, classe é um aspecto em que se revela as relações de opressão. No entanto, outras relações de opressão são mediadas por etnicidade, por exemplo, que não é classe social.
3) Houve uma miopia ou um deficit ético na marxismo (ética eurocêntrica)
4) Crítica ao vanguardismo (vanguarda) do Partido. Segundo Boaventura, o Partido não deve ser a vanguarda, mas a retaguarda dos sujeitos políticos subalternizados: estimulando a luta, sugerindo questões...
5) Crítica à idéia positivista do marxismo entendido como uma ciência. Para Boaventura, o marxismo não é uma ciência.
6) O marxismo desvalorizou a democracia.

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